Mateus Torres, Advogado

Mateus Torres

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E
Emerson Araújo
Comentário · há 8 anos
Parabéns pelo artigo caro Marcus,
Vivenciei o cárcere por 9 anos e 6 meses. Nas escolhas da vida em determinado momento escolhi o caminho escabroso e, me arrependi. Contudo, sofri o peso da opressão do Estado enquanto preso, a mercê das injustiças e mazelas do nosso sistema prisional. Dormi de valete, de facão, sentado, em pedregulhos. Passei frio e fome, fui espancado, agredido, fui discriminado e muito mais coisas que se eu fosse escrever aqui daria um livro.
Esse ódio da sociedade fomentado pela postura do Estado em frente à problemática da segurança pública, esse pensamento punitivista e vingativo, só traz mais violência. Acredito que o homem que erra tem que pagar pelos seus erros, mas deve-se reeducar o cidadão e não somente punir, deve-se fazer isso com dignidade, e não como acontece na nossa realidade. Sabe, se eu não tivesse força de vontade de querer mudar, eu não estaria aqui trabalhando, estudando e respondendo este artigo, estaria roubando, traficando, etc. Não seria mais apenas um criminoso, mas estaria em uma organização criminosa, teria mais contatos e mais conhecimentos para crimes mais elaborados ainda. Digo isso, porque é isso que a ausência do Estado faz, dar oportunidade para o crime absorver, arregimentar pessoas para aumentarem seu poder paralelo (espero que deixem minha resposta on...rs).
Vi inúmeras pessoas que realmente mereciam estar ali, mas vi muita gente inocente, muitos negros, jovens, pobres, sem oportunidade na vida, ganhando dinheiro para ajudar em casa e em seu sustento, vendendo drogas na favela, ganhando mixaria, sem oportunidade de ter um emprego digno, sem uma educação libertadora, vi muitos pais de família que desesperados cometeram crimes para sustentar sua família (nada justifica cometer um crime, vão dizer..."meu pai passou por isso e não roubou", mas só quem vê um filho com fome sabe o que é capaz de fazer)...
Eu, no cárcere, resolvi escolher outro caminho, mas não porque o cárcere me recuperou mas a minha nascente fé em Jesus e no auto-resgate da minha identidade, da maturidade e na educação que me libertou. Fui monitor-educador preso pela FUNAP, realizei palestras, elaborei módulos de cursos, estudei o vade-mecum inteirinho em 1 ano e meio, fiz vários HC'S para companheiros de infortúnio, e quando enfim sai, em Julho de 2014, resolvi entrar na faculdade de Direito. No momento curso o 8º semestre já e estágio numa OSCIP, chamada IDDD - Instituto de Defesa do Direito de Defesa - Márcio Thomaz Bastos. Instituo, esse, que luta pela garantia de defesa a todos, pelos direitos humanos e pelas garantias e direitos fundamentais.
Eu sou prova viva que o ser humano errante pode superar seus erros e galgar na vida de forma digna e honesta.
Mais uma vez parabenizo pela coragem de trazer esse tema tão importante!
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